na Savassi

Bairro

01 de agosto de 2011, às 18:59

Acampamento da Avril

Jovens acampam na porta do show desde sexta-feira para conseguir lugar próximo ao palco.

Bruno Fonseca

Subindo a avenida Nossa Senhora do Carmo, logo ali, nos muros do colégio Marista, eles chamam atenção. À primeira vista, a fila de barracas, colchões e edredons até se passa por uma manifestação, mas os posteres colados na parede e as camisetas estampadas deixam claro qual o motivo do acampamento. São os fãs da Avril Lavigne esperando para conseguir o melhor lugar no show da turnê “Goodbye Lullaby”, nesta terça (2), no Chevrolet Hall.

Foto: naSavassi

Quem passava chegou a estranhar os garotos acampados. Eles, brincando, disseram que esperavam o show da banda Calypso.

César Jeferson, de 29 anos, foi o primeiro a chegar ao local, ainda na sexta (29 de julho), às 7h – nada menos que 110 horas antes do show. Ele foi o único da fila até as 17h de sexta, quando começaram a chegar os outros fãs. “É necessário chegar mais cedo, sim. Olha só o tanto de gente que já está aqui agora”, disse, apontando para as cerca de 80 pessoas que se amontoavam no lugar ao final da tarde de domingo.

E como se amontoavam. Em cima de uma confusão de colchões, chips e Coca-Cola, os jovens conversavam, trocavam histórias pessoais, cantavam músicas. “Quero ser uma das primeiras, ficar na grade, o mais perto da Avril possível”, conta Taís Rosa, de 19 anos, que chegou à fila no final da tarde de sexta. A garota diz ser fã da Avril há oito anos e esse é o primeiro show da cantora em que vai. “É muita ansiedade. Não somente eu, mas todo mundo aqui. Ninguém está conseguindo dormir direito”, diz.

Por falar em dormir, como é passar o frio de madrugada apenas com um cobertor, perguntei. “Sinceramente, o que é mais difícil é a ansiedade de esperar pelo show”, jura César. “O frio a gente aguenta, difícil mesmo é segurar a emoção”, completa Lorena Silva, de 17 anos. Já com outras necessidades fisiológicas, a situação é mais complicada – e eles não têm pudor em contar como estão se virando.  ”Agora a gente achou um banheiro no posto, mas ontem eu fiz na rua”, conta Lorena indiferente enquanto todos riem.

Alguns dos jovens se conheceram pela internet, outros, ali mesmo na fila. A maioria tem cerca de 20 e poucos anos e diz ser fã da cantora há bastante tempo. “É bacana ver que o público muda. No show da Avril em 2005, em São Paulo, o pessoal tinha 12, 14 anos. Hoje, eles cresceram e continuam acompanhando”, explica César. Segundo ele, o amadurecimento do público acompanhou o crescimento da própria Avril, hoje com 26 anos. “Algumas pessoas esqueceram que ela evoluiu, mas ela já não aquela garotinha de antes”, diz César.

Claro, a pergunta que não poderia faltar: tem alguém aqui que deveria estar trabalhando? Taís foi a primeira a levantar a mão. “Deveria estar no trabalho e, provavelmente, vou ser despedida”, disse sorrindo. Vale a pena? Segundo ela, vale sim. “São oito anos que sou fã da Avril. Ter a oportunidade de ficar assim próximo dela vale tudo”, afirma.

 

Informações

Show da Avril Lavigne

Chevrolet Hall - av. Nossa Senhora do Carmo 230

Terça-feira, 2 de agosto

Ingressos esgotados

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