na Savassi

Bairro

13 de julho de 2011, às 20:45

Os Pecados da Savassi – Luxúria: preliminares

A sedução na Savassi só está começando.

Matheus Marinho e Bruno Fonseca

Se os cidadãos no Japão, dourados no Solimões e até tico-ticos no fubá fazem, por que a Savassi iria ficar de fora? A série 7 Pecados está de volta e, desta vez, a nossa equipe encontrou uma Savassi nada comportada. Para ler ao som de Ella Fitzgerald – Let’s Do It (Let’s Fall In Love) ou de Elza Soares – Façamos – com Chico Buarque – o importante é se entregar para a luxúria na Savassi. Mas calma, só estamos nas preliminares! Tem mais luxúria vindo por aí.

Lingeries e brinquedinhos

Foto: naSavassi
Foto: naSavassi
Soutiens, calcinhas, corpetes e cintas-liga de todas as cores, formatos e tamanhos possíveis.

Na vitrina, delicadas lingeries rosas, vermelhas e azuis, trançadas com fitas, decoradas com rendas – que graça os tecidos de bolinhas! O clima da loja já é um deleite, com suas paredes coloridas, música ambiente, cheirinho de sachê. Mais ao fundo, em uma parede rosa-choque, uma infinidade de soutiens, calcinhas, corpetes e cintas-liga. Bojos voluptuosos, enchimentos nada comedidos, tecidos semi-transparentes. Ah, claro. Escondido por uma cortina roxa com flores de plástico, um quartinho de paredes vermelhas repleto de géis comestíveis, calcinhas comestíveis e muitos brinquedinhos.

A ideia de montar um sex shop na loja de lingeries começou neste ano. Como explicam as proprietárias da Santa Liga, Carol e Érika Diniz, elas perceberam que as mulheres que compravam lingeries poderiam complementar a “brincadeira” com óleos de massagem, cremes afrodisíacos, alguns brinquedinhos. Daí vieram as bolinhas explosivas, os vibradores e as capas penianas.

Foto: naSavassi
Foto: naSavassi
No quartinho escondido, Érika e Carol vendem geis aromaticos, óleos de massagem, anéis penianos, vibradores e outros brinquedinhos de borracha.

Hoje, das clientes mais conservadoras que arriscam apenas um óleo de massagem àquelas mais atrevidinhas que montam kits com tudo que se encontra nas prateleiras, o Santa Sex é sucesso junto ao público da loja.

E que público é esse? Se você tem prontos seus estereótipos, melhor rever seus conceitos. “A gente se surpreendeu”, diz Carol. “Vêm pessoas de todas as idades, dos 18 aos 70 anos”, conta. “E não é exagero”, comenta Érika. “São amigas que vêm juntas, mães que trazem suas filhas e até mesmo atendemos uma família com a filha, a mãe e avó, que compram no sex shop. É um barato ver as três dando palpite na compra da outra”, diz.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Parece um coelhinho inofensivo, mas ele guarda uma grande surpresa: um vibrador em seu interior.

Aliás, quem trabalha em um sex shop não fica sem casos para contar. Do marido que presenteou a mulher com um mega kit que incluía desde géis a um vibrador (a esposa respondeu à loja que adorou o presente) à cliente mais velha que é fascinada por fantasias de látex. “Ela procura todas, quer experimentar tudo, até encomendamos uma para ela”, conta Érika. Teve também o curioso caso de um homem que veio procurar uma cinta-liga masculina. “Eu não entendi o que ele queria, ainda mais porque ele apontou para o tornozelo. Acho que foi a única vez que tive vergonha de perguntar para o cliente o que ele desejava”, relembra.

Hoje, o que mais sai na loja são as bolinhas explosivas para a vagina e os anéis penianos. “O sex shop é mais voltado para a mulher, mas também atendemos homens que, no geral, chegam quando a loja abre ou ao final do dia, mais desconfiados”, diz Carol. Sobre os hábitos dos belo-horizontinos, Érika comenta que as pessoas são muito conservadoras. “Na verdade, acho que o povo mente demais. Muitos têm vergonha de dizer que frequentam sex shop, por isso, preferem vir aqui à loja que é um ambiente mais discreto”, comenta. A Santa Liga também realiza chás de lingeries para noivas.

 

A má fama da calcinha bege

Foto: naSavassi
Foto: naSavassi
Calcinha e soutien bege da loja Chris Gontijo que não fazem a relação esfriar.

Coador de café, calcinha da vovó e por aí vai. Parece até uma convenção entre os homens dizer que calcinha da cor da pele broxa qualquer um. Eles dizem que o bege remete à monotonia, não aguça a curiosidade, não atiça o olhar e muito menos os outros sentidos. Já elas dizem que é confortável, não marca em roupa branca e, além disso, a mulher não precisa estar pronta para seduzir o tempo inteiro. Mas, na hora H, estar vestida com aquela calcinha bege é o mesmo que ativar o extintor de incêndio? Para Chris Gontijo, depende.

A dona da loja especializada em lingeries sensuais mostra um conjunto de calcinha e soutien de cor bege que faz sucesso entre as clientes e que é muito bem aceito entre os maridos e namorados. “É comprovado que o tesão aumenta quando o homem vê uma lingerie bonita e essa bege não esfria o momento da relação, afinal o corte é bonito, tem rendinhas, lacinho e a própria cor não é aquela convencional, feia”, afirma Chris.

Além das belas lingeries, corselets e cintas-liga, a Chris Gontijo fornece cursos e palestras para mulheres que querem sentir bem consigo mesmo e consequentemente agradar mais o parceiro. “Os cursos não têm nada de apelativo, pessoas novas e mais velhas participam. Procuro focar mais na questão da auto-confiança e do despertar do feminino do que na parte vulgar”, comenta.

Dependendo da demanda são oferecidos cursos de massagens relaxantes e sensuais que falam de pontos principais do corpo que tanto o homem quanto a mulher sentem mais prazer e de alguns materiais que podem ser usados, como talcos e óleos, além de curso de pompoarismo, dicas de beleza, palestras para casais e o chá de lingerie. Este último pode ser feito na própria loja com até 14 convidadas ou no local de preferência da noiva.
Foto: naSavassi
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Chris Gontijo: "existe uma grande diferença entre o erótico e o sensual. A postura da mulher muda completamente."

Chris acredita que a mulher não tem que se aprontar somente para uma ocasião específica. ”Ela precisa de momentos especiais sempre, por isso deve estar preparada para viver uma noite especial todos os dias”. A pressão de se arrumar para uma noite, escolher uma lingerie sensual com aquele pensamento na cabeça de “hoje tem que ter” pode ser prejudicial. “As coisas acontecem naturalmente. O pensamento tem que ser: eu uso porque gosto, é meu estilo. Isso cria na mulher uma autoestima, que é o principal. Muitas clientes já me disseram: quem usa as lingeries da Chris Gontijo acaba casando.” Casada ou não, é sempre importante a mulher se sentir bonita, seja com calcinha bege, vermelha, amarela ou azul.

Leia mais:

A Inveja

A Gula

A Vaidade

 

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