Bel Ami – Robert Pattison interpretando um sedutor depois de ser traído
Foto: Divulgação
Dirigido por Decaln Donnelan e Nick Ormerod, Bel Ami- O Sedutor é a estreia da parceria nas telas de cinema. A trama é baseada em um romance do aclamado autor francês, Guy de Maupassant. Robert Pattinson encarna o protagonista, Georges Duroy, veterano de guerra, busca na Paris do final do século XIX se estabelecer como rico e poderoso. Sem muita inteligência, Duroy é charmoso e convincente e utiliza do seu apelo sexual para influenciar e enganar as madames da sociedade, esposas dos grandes detentores daquilo que mais deseja. Sua vida e existência são rodeadas por ganância e usura.
É logo em primeira instância que se observa a polêmica envolvida neste filme. Pattinson já tenta há alguns longas, tentar quebrar o estereótipo criado por seu personagem na Saga Crepúsculo. As críticas novamente e novamente o coroam como fraco ator, incapaz de transmitir uma realidade dramática original. Somado a isso, a declaração pública de sua parceira Kristen Stewart (colega de Pattinson em Crepúsculo, que lida com desafios semelhantes) que o havia traído com um homem mais velho e casado, ilustram uma amarga ironia que paira por cima do longa. Pesarosa e prejudicial a ambos, Pattinson e a produção, estas recentes notícias impactaram a bilheteria do filme, que arrecadou menos de meio milhão de dólares nas salas americanas¹.
O que deveria ajudar o filme é seu próprio desenvolvimento artístico e linguagem cinematográfica. A cenografia, rodada na Hungira, ilustra a sociedade de Paris numa paleta de cores industriais. A cidade que circunda a trama é amorfa, dando a entender que aquele era o cenário de toda grande metrópole do século XIX, o poder e o dinheiro ditavam o jogo. Não há tomadas do Moulin Rouge, da Torre Eiffel, pouco importa onde, a história seria a mesma. O figurino não deixa a desejar, sendo fiel ao padrão de vestimenta da alta sociedade. No geral, o trabalho é bem feito, uma trilha sonora influente que bate nos momentos fortes e incita nos momentos sutis. A mixagem de som é criativa nas cenas das grandes festas, barulho de taças passos e goles se misturam aos olhares da inveja e aos cochichos das fofocas.
O que apertou o botão de pare no interesse foi a narrativa da história. A trama se desenvolve de forma lenta e homogênea. Há pouca participação do espectador no entendimento uma vez que o conteúdo é entregue mastigado. Falta, também, a força de personagens capazes de puxar a atenção ao entregar uma sólida atuação. Pattinson se esforça demais e entrega muita energia, muita expressão, muitas caras e bocas quando a sutileza seria mais bem aceita.
É importante observar a cena intensamente dramática com Kristin Scott Thomas, que vive Virginie Rousset: na ocasião, toda a força, no geral excessiva de Pattinson, foi a dose perfeita de entrega emocional e seu momento mais verossímil no filme. Christina Ricci, que vive uma das madames seduzidas por Duroy, peca na mesma tecla, entrega uma atuação exagerada, que falsifica sua performance. Uma Thurman é a única capaz de casar com a dubiez de sua personagem, como força da inteligência do filme, manipula assim como Duroy, com o uso de suas expressões e palavras.
“Bel Ami – O Sedutor”, entrega por fim uma dramaturgia fraca e pouco coesa. Até o fim do filme não fica claro o verdadeiro caráter de Duroy: um vazio preenchido pela raiva e usura, ou uma pureza deturpada pelos mesmos fatores? Bom, mas ruim. É a soma final.












